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Gulp, Grunt ou Webpack?

No meu post anterior, (Utilizando o Visual Studio Code para desenvolver com TypeScript), falei sobre como utilizar o Visual Studio Code para desenvolver sua aplicação com TypeScript. Caso não esteja familiarizado com TypeScript, veja o primeiro post da série: JavaScript e TypeScript – Breve histórico, definição e primeiros passos.

Parte do sucesso de um projeto depende de um bom setup, ou seja, de como você o configura para facilitar a sua vida durante o tempo de desenvolvimento.

No ciclo de vida de uma aplicação, é comum que novos recursos sejam adicionados a aplicação e, com isso, apareça a necessidade de instalação de uma nova versão da aplicação. Ou, durante o tempo de desenvolvimento mesmo seja necessário copiar as referências de terceiros de uma pasta para um local onde você possa rodar a aplicação e ver se suas modificações funcionaram, ou ainda, minificar e fazer o bundle dos arquivos que você utilizou para desenvolver para que sejam otimizados para o ambiente de execução.

É importante lembrar que uma aplicação web, ou melhor a parte correspondente ao client de uma aplicação web, consiste basicamente de arquivos JavaScript, HTML (estrutura da página), CSS (formatação da aparência), arquivos estáticos (imagens, fontes e outros recursos utilizados na página) e APIs para comunicação com o servidor. Dessa forma, sempre que um usuário acessar sua aplicação, o browser fará o download desses arquivos para o computador do usuário e qualquer otimização que você conseguir apresentar terá um impacto grande na experiência do usuário.

Enfim, seja qual for o motivo, uma coisa é certeza: você acabará executando tarefas repetitivas e, como programadores, nossa tarefa é automatizar esse tipo de tarefa sempre que possível.

Com esse intuito, surgiram várias ferramentas no mercado. Muito provavelmente você deve ter ouvido falar de pelo menos uma delas: Webpack, Gulp ou Grunt.

Se eu tivesse que traçar uma linha do tempo, diria dessa forma: muitos desenvolvedores começaram com o Grunt, depois mudaram para o Gulp e, atualmente, estão no Webpack. Mas no fim, é uma escolha muito pessoal. Alguns desenvolvedores combinam Gulp + Webpack para a realização de tarefas, mas essencialmente, você pode escolher qualquer um deles e ser feliz.

Por definição, tanto Gulp quanto Grunt são Task-Runners, enquanto o Webpack é um module bundler.

Para ajudar na decisão, a linha de tendência de acordo com o Google:

Particularmente, eu comecei com o Grunt e depois fui direto para o Webpack. Mas novamente, isso é uma escolha puramente pessoal e de acordo com o time que você está inserido.

O que você precisa saber:

Todos são customizáveis (alguns mais e outros menos) e possuem um ecossistema interessante de plugins para facilitar nas tarefas mais comuns e lidar com casos de exceção particulares ao seu projeto.

Grunt

As configurações são baseados em declarações, veja o exemplo abaixo.

Por isso, tende a ficar meio bagunçado conforme o arquivo cresce e novas tarefas são adicionadas. A tendência, atualmente, é não utilizá-lo mais.

Gulp

Ao contrário do Grunt, no Gulp as tarefas são funções JavaScript. Existem times que preferem configurações (naturalmente irão para o Grunt) ou times que preferem código.

Apesar de EU nunca ter utilizado o Gulp, vendo os exemplos de arquivos de configuração na internet tenho a impressão de que eles são mais simples, mais fáceis de serem mantidos e de melhor entendimento.

Outro fator interessante é que ele é mais rápido do que o Grunt, e tira vantagem do recursos de Streams disponível no Node. Notem o uso do Pipe no código.

Webpack

O webpack trabalha analisando todo o seu projeto e gera um mapa de dependências. É bem útil em projetos que utilizam vários assets que não são somente código, como fontes, imagens, css e etc.

A desvantagem do webpack é que ele pode parecer mais complexo de configurar, principalmente no início.

Após o mapa de dependência estar definido, o webpack utiliza as configurações pré-definidas para processar as dependências e gerar o resultado final.

Um conceito muito utilizado é o de Loaders, onde você define quais plugins serão executados quando o Webpack encontrar um tipo específico de arquivos.

No exemplo acima, o webpack utilizará o babel-loader para todos os arquivos do tipo .js que existirem no projeto.

 

Utilizando o Visual Studio Code para desenvolver com TypeScript

No meu post anterior (JavaScript e TypeScript – Breve histórico, definição e primeiros passos), falei sobre os primeiros passos para um desenvolvedor que está iniciando com o desenvolvimento client-side utilizando JavaScript, suas dificuldades quando o projeto começa a crescer e um pouco do TypeScript, uma linguagem que a Microsoft criou para tentar solucionar alguns problemas que desenvolvedores enfrentam em projetos que utilizam essa linguagem.

Antes de entrar nos detalhes específicos das linguagens – coisas que abordarei em posts futuros – gostaria de ressaltar o editor de códigos Visual Studio Code.

Muitos desenvolvedores Web tinham (ou ainda tem) um certo preconceito com tecnologias Microsoft. Muitos que conheço, nem sequer tentaram utilizar o Visual Studio Code para formar uma opinião sobre o produto. A semelhança do nome com a IDE completa (que ainda existe e é um produto completamente diferente) criou uma certa barreira.

Quando conseguimos passar essa barreira inicial e mostramos as vantagens de se utilizar o Visual Studio Code no dia-a-dia eles ficam encantados e imediatamente consideram a trocar as ferramentas que utilizavam antes pelo Code (apelido carinhoso :)).

Se você ainda não utilizou, recomendo que testem a ferramenta. Dentre as vantagens que a ferramenta oferece, posso citar algumas:

  • Intellisense aprimorado, inclusive para códigos C#;
  • Multiplataforma, ou seja, roda no Mac, Windows ou Linux.
  • Debugging direto da ferramenta
  • GIT integrado
  • Diversos plugins para melhorar ainda mais a experiência
  • Leve! Muito LEVE!

Voltando ao objetivo do post, mostrar as vantagens do Code para o desenvolvimento de códigos TypeScript, vou apresentar como começar a escrever suas primeiras linhas de código.

Instalando o TypeScript

Como eu disse no outro post, TypeScript utiliza-se de um Transpiler (compilador de código-fonte para código-fonte) para transformar o código que você está escrevendo em JavaScript. Você precisa instalá-lo.

A maneira mais simples de fazer isso é instalar o NPM (Node Package Manager) e utilizá-lo para instalar o TypeScript para você. Para instalar o NPM, e o Node JS, utilize esse link https://nodejs.org/en/download/.

Após instalado, abra um terminal e rode o seguinte comando:

npm install -g typescript

Após a instalação, se tudo der certo, você poderá checar a versão do TypeScript instalada, rodando o seguinte comando:

tsc –version

Esse procedimento mostra como instalar o TypeScript globalmente em sua máquina. Entretanto, em um cenário real de projeto, você pode instalar o TypeScript projeto a projeto e evitar interferências e conflitos de versões de um projeto para outro. Para fazer isso, só remover o -g do comando de instalação acima e o TypeScript será instalado na pasta do seu projeto (pasta atual).

Primeiros passos com o VS Code

Após instalar o VS Code, abra-o.

Eu gosto de criar um atalho para poder iniciar o code a partir de um terminal. O mais legal é que o Code já vem com uma opção pronta para fazer isso por você. Para ativar, digite CTRL+SHIFT+P ou CMD+SHIFT+P se estiver no Mac para abrir as ações do Code e escolha a opção Shell Command: Install ‘Code’ command in PATH.

Após isso, você poderá iniciar o code em qualquer lugar através do terminal rodando o comando “code .”, que abrirá o Code na pasta atual.

Com o Code aberto, vou criar um arquivo TypeScript para iniciarmos.

Como vocês podem ver, o visual é bem clean e na barra de ferramentas (em azul, na parte de baixo) existem algumas informações úteis sobre o arquivo.

Comece a programar!

Notem que o Intellisense, recurso que auxilia mostrando os detalhes do código é muito útil.

Notem que inclusive os tipos das propriedades são apresentadas.

E se eu tentar atribuir uma string a uma variável do tipo numérica, o VS Code alerta que isso não é possível.

 

Configurando o projeto para TypeScript

Em um projeto do tipo TypeScript, é necessário criar na raiz do projeto um arquivo chamado tsconfig.json. Esse arquivo será utilizado pelo Transpiler para gerar o código JavaScript de acordo com os parâmetros definidos nele.

Até nisso o VS Code nos auxilia bastante. Primeiro crie um arquivo e atribua o nome tsconfig.json.

Ao digitar { } e depois abrir as aspas (“) o VS Code mostra todas as opções possíveis para esse tipo de arquivo.

Para esse primeiro momento, utilizaremos da seguinte forma:

{
    "compilerOptions": {
        "target": "es5",
        "module": "commonjs",
        "sourceMap": true
    }
}

Após isso, voltei ao meu arquivo Test.ts e adicionei uma funcionalidade apenas para demonstrar a conversão do código TypeScript para JavaScript e podermos rodar o código no browser. Ele ficou assim:

Para gerar o código JavaScript, abra o terminal e rode o seguinte comando

tsc test.ts

Se tudo deu certo, você verá que um novo arquivo foi gerado na mesma pasta, mas com a extensão .js.

Ao abrir o arquivo gerado, você verá o resultado em JavaScript:

Esse código está pronto para ser rodado no browser. Se você abrir o console do Chrome e rodar o código lá, verá que ele funcionará.

 

JavaScript e TypeScript – Breve histórico, definição e primeiros passos

Para muitos desenvolvedores que estão começando agora ou para aqueles que estão tendo o primeiro contato com JavaScript, a forma como a linguagem foi projetada pode gerar bastante confusão e resultar em códigos bem ruins.

Ocasionalmente, encontramos soluções onde os desenvolvedores acabaram criando um código “de qualquer jeito”, simplesmente por ser JavaScript. O mais triste é que esses mesmos desenvolvedores, não escreveriam esse mesmo código tão desestruturado em outras linguagens server-side.

Antes de mais nada, vamos começar estabelecendo alguns conceitos:

Para uma solução Web funcionar, basicamente você uma aplicação dividida em 2 partes: Cliente e Servidor. A parte que fica no servidor geralmente é responsável por cuidar da autenticação do usuário, fazer o acesso a banco de dados, lógicas de negócios e disponibilizar informações/dados para a parte do cliente. São exemplos de linguagem de servidor: C#, Java, PHP, entre outras.

Já a parte do cliente é geralmente dividida em 3 partes: HTML, CSS e JavaScript. Essas 3 linguagens (tríade), rodam diretamente no browser (navegador) da pessoa que está acessando o site/aplicação.

Breve histórico: o desenvolvimento do JavaScript teve início em meados de 1995, na Netscape Communications, empresa que criou o browser Netscape (Alguém se lembra dele? :D). Na época, a Netscape Communications percebeu que precisava de uma linguagem para melhorar a experiência do usuário, o que resultaria em uma maior adoção. Como Java era uma linguagem que estava em evidência naquela época, decidiram que a sintaxe na nova linguagem seria parecida com ela. O resultado foi uma linguagem com recursos semelhates à Scheme, com sintaxe parecida com Java e orientação à objetos parecida com SmallTalk.

Não vou me aprofundar muito sobre JavaScript nesse artigo, mas com certeza vocês encontrarão várias referências na internet sobre a linguagem e até mesmo exemplos de códigos que você pode rodar diretamente no console do browser, sem nem mesmo criar uma página Web.

Com o passar do tempo, as aplicações evoluíram. Cada vez mais, é comum criarmos aplicações complexas utilizando basicamente o JavaScript. Quanto mais complexa é uma solução, mais precisamos pensar na arquitetura que vamos adotar.

É imprescindível criarmos uma base de código que seja de fácil manutenção, que nos permita fazer com que a ferramenta que criamos evolua. Com esse intuito, vieram vários frameworks para nos ajudar. Talvez um dos primeiros frameworks nesse sentido seja o jQuery.

Todo desenvolvedor front-end, ou que tenha se aventurado em fazer código client-side, em algum momento escreveu algumas linhas de código utilizando o jQuery ou deu manutenção em alguma solução que foi construída utilizando essa biblioteca.

Em uma época que as APIs dos browsers estavam engatinhando, era muito mais simples manipular elementos da página utilizando os métodos, propriedades e eventos que o jQuery nos proporciona. Ainda mais para os desenvolvedores que tinham conhecimento em desenvolvimento server-side mas estavam se aventurando pelo admirável mundo novo do desenvolvimento client-side.

Aproveitando que comentei da manipulação dos objetos de uma página da web, preciso comentar sobre outro tópico, o DOM.

Document Object Model (DOM)

Quando o browser interpreta um código HTML, ele monta o DOM da página. O DOM é uma árvore de objetos composta por todos os elementos que estão na página. Ou seja, todos os controles de formulário (Input, textarea, etc), referências à scripts, CSS, estão lá.

É através do DOM que você acessa um elemento que está na página e interage com ele, programaticamente falando. Por exemplo, quando você precisa alterar um texto dentro de um input, você está manipulando o DOM.

Seja com Vanilla JavaScript (Vanilla = uma outra maneira de falar JavaScript puro, sem bibliotecas e frameworks) ou através de algum framework ou biblioteca, o que você estará fazendo é manipulando essa árvore de objetos e o browser se encarregará de mostrar as alterações para o usuário.

 

Voltando para o JavaScript, conforme a necessidade de organização, planejamento e estruturação foram aparecendo (ou crescendo), em conjunto com a evolução das aplicações, os desenvolvedores (E empresas!) notaram que alguns recursos que ajudam no ciclo de vida de desenvolvimento de uma aplicação faltavam ao JavaScript. Entre eles:

  • Verificação de erros em tempo de compilação – Nos códigos que são compilados, o compilador (utilitário que transforma o código escrito por humanos em código que o computador seja capaz de entender) analisa todo o código escrito e, caso ele não siga algumas regras, erros são apresentados para o desenvolvedor. Com isso, o desenvolvedor consegue resolver alguns erros básicos durante a etapa de desenvolvimento, sem precisar rodar a aplicação para ver o erro.
  • Checagem dos tipos de objetos e intellisense – Outro recurso que ajuda bastante é saber o tipo das variáveis durante o tempo de desenvolvimento. Embora muitos IDEs e editores de código façam um ótimo trabalho nesse sentido, um suporte melhor ajudaria na produtividade.

Pensando nessas dificuldades, a Microsoft criou o TypeScript.

TypeScript é um superset da linguagem JavaScript e, com ele, você ganha o recurso de tipagem estática dos objetos, ou seja, se você tentar atribuir um texto a uma variável numérica você será informado do erro. 🙂

Como os browsers só entendem JavaScript, você precisará de um Transpiler. Para quem não está familiarizado com o termo, Transpiler é um tipo de compilador source-to-source, ou seja, que pega o código-fonte gerado em uma linguagem e gera código-fonte em outra linguagem. Nesse caso específico, pega o código em TypeScript e gera um código em JavaScript.

Não vou me aprofundar nesse tema agora, mas deixo um link da Wikipedia para quem quiser saber mais sobre o assunto: https://en.wikipedia.org/wiki/Source-to-source_compiler

A título de curiosidade, o Anders Hejlsberg Lead-Architect do C# e criador do Turbo-Pascal e Delphi trabalhou no desenvolvimento do TypeScript.

Como se pode imaginar, a sintaxe do TypeScript é bem parecida com o C#, o que ajuda na adaptação de desenvolvedores server-side acostumados com C# a fazer uma transição mais tranquila para o client-side.

Vejam:

Entenda como objetivo principal da Microsoft ao criar o TypeScript a tentativa de facilitar o desenvolvimento de códigos complexos e de larga escala.

No próximo artigo vou abordar como extrair o máximo do Visual Studio Code (se você ainda não conhece, recomendo muito! Sempre que posso utilizo o Visual Studio Code como ferramenta de trabalho. Além de tudo, é gratuito!) no desenvolvimento de código TypeScript. Fiquem ligados!

Recapitulando

Nesse artigo abordei o básico de como o código de uma aplicação web é dividido e os tipos de tecnologias envolvidas. Comentei sobre o JavaScript, como sua interação com elementos de uma página funcionam e como o TypeScript auxilia no desenvolvimento de aplicações robustas e de larga escala.

Abraços!